A TERCEIRA IDADE

Segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS - o mundo comemorou o Ano Internacional do Idoso com 580 milhões de pessoas com 60 anos de idade ou mais, o que representa 6% da população mundial. Desses 335 milhões (60%) vivem nos países em desenvolvimento.

Para os cientistas, a terceira idade, ou, como estamos usando atualmente, a melhor idade; começa aos 60 anos.
O conceito de terceira idade tem sido variável. Há quem diga que existe a "boa idade". Isto é conceitual. A idade mostrada na carteira de identidade pode ser superior a 50 anos, mas a mente, o espírito da pessoa é que mostram a quantas que ela anda. Aquela frase, cujo autor desconhecemos, mas que diz: "há idosos aos 20 anos e há jovens aos 90", mostra bem como é a realidade.

Cada um de nós, adultos, carrega dentro de si por toda a vida características da infância ou primeira idade. Na terceira idade persistem características particulares da primeira e segunda idades somadas ao processo natural de envelhecimento. Este processo pode ocorrer de diversas maneiras. É a criança que, de repente, por razões familiares, necessita trabalhar e interrompe um processo de desenvolvimento mental natural para encarar as realidades da vida adulta. Por outro lado há pessoas que mesmo idosas ainda mantém vivo o espírito jovem e mesmo o comportamento infantil.

Ao chegarmos à terceira idade carregamos todas as características mais importantes deste processo de amadurecimento que evidentemente varia para cada um de nós. Pessoas tristes, céticas, evidentemente tem tendência a encarar a terceira idade como um período da vida cheio de problemas e sofrem mais. Outras são mais alegres e encaram os problemas da vida de maneira mais amena.

Mas, se você está chegando aos 50 anos, faça o teste: pegue sua fotografia mais recente e a compare com uma de seu pai (no caso dos homens) ou de sua mãe (para as mulheres) na mesma faixa de idade. A chance de você estar mais bem conservado do que ele ou do que ela é enorme.

PROCESSO DE ENVELHECIMENTO

O processo íntimo do envelhecimento não é conhecido, sendo a única certeza o fato de tratar-se de uma situação que atinge a todos os seres vivos.
As principais teorias de envelhecimento se situam na análise das proteínas - substâncias básicas na estrutura das células e conseqüentemente do organismo. As proteínas são constituídas de elementos denominados aminoácidos que carregam dentro de si as informações genéticas próprias de cada um, isto é, nosso patrimônio genético.

Acredita-se que na terceira idade passe a ocorrer uma produção mais lenta das proteínas, com tendência a formação de estruturas alteradas. Tanto o processo de Arteriosclerose que ocorre nas artérias como o de Opacificação do Cristalino dos olhos (Catarata), por exemplo, são devidos às modificações que ocorrem na estrutura das proteínas que compõem respectivamente as Artérias e o Cristalino.

Tais alterações, evidentemente, respeitam as características genéticas de cada um e por isso ocorrem de maneira diferente em cada um de nós.
Além desta alteração na função das proteínas, observa-se também e como conseqüência, uma diminuição no número das células existentes no organismo. O corpo, com o tempo, perde as células que o constituem, diminuindo a sua massa e conseqüentemente o seu peso.

Não se sabe a razão que leva as proteínas a apresentarem tais mudanças no seu comportamento. Alguns cientistas acreditam que estas alterações que ocorrem com as proteínas sejam favorecidas pelo acúmulo de radicais livres no organismo, fato que ocorre de preferência na terceira idade. Os radicais livres são substâncias que apresentam grande capacidade de reagir com determinadas partículas componentes das proteínas, alterando-as. Os radicais livres são formados a partir do oxigênio e fazem parte do processo de oxidação.

Entre as alterações que ocorrem na terceira idade deve ser notada a queda da imunidade, isto é, a diminuição de nossas defesas (diminuição na produção de anticorpos), o que favorece o aparecimento de infecções e de tumores. O sistema imunitário é formado por células que existem no sangue e que são produzidas pela medula dos ossos. A imunidade protege o organismo contra substâncias estranhas, microorganismos como bactérias e vírus, e também contra as células de tumores. A deficiência do sistema imunitário leva a conseqüências devastadoras ao organismo. A queda da função imunitária propicia o desenvolvimento de infecções e de tumores.

Observa-se também que no idoso há uma tendência ou ao aumento ou a diminuição de determinados hormônios que circulam no sangue e que podem provocar hipertensão arterial, diabetes, alterações do sono, etc. O estrógeno, hormônio feminino, está diminuído na terceira idade, sendo responsável pelo climatério ou menopausa. A testosterona é o hormônio masculino e também diminui na terceira idade. O idoso produz menos hormônio produzido pela glândula adrenal ou DHEA, menos hormônio de crescimento, menos hormônio da tireóide, e menos melatonina.

Todas estas situações acima descritas estão relacionadas com proteínas alteradas.
Sabe-se que o processo de envelhecimento tem uma base hereditária, sendo conhecido o fato de existir famílias cujos componentes tendem à longevidade, e outras que apresentam certas doenças com muita freqüência.
As característica biológicas de cada um estão localizadas em determinadas estruturas denominadas cromossomos. Algumas variações cromossômicas caracterizam doenças e outras simplesmente determinam aspectos físicos ou a aparência. As doenças devidas a alterações cromossômicas são denominadas doenças genéticas. Sabe-se que a maioria das doenças recebem influências genéticas mas não se conhecem as alterações cromossômicas que acontecem nas mesmas. Artrite reumatóide, hipertensão arterial e doença coronariana são exemplos de doenças com clara predisposição hereditária. O conhecimento das alterações cromossômicas das doenças abre um campo muito importante que pode levar a resultados positivos quanto ao tratamento.

O processo de envelhecimento é um processo ativo sendo de certa maneira imposto pelo próprio organismo segundo um programa localizado dentro de nosso patrimônio genético e que também recebe influencia do meio

© Geraldo de Azevedo 2004