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AUMENTO
DE SALÁRIOS E APOSENTADORIAS |
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O
mês de maio é um mês de muitas expectativas
e, também, de muitas comemorações: o dia
das mães, da libertação dos escravos, do
trabalho, dentre outras.
Mas,
principalmente, é o mês de maior expectativa para
os trabalhadores assalariados de salário mínimo
ou os que têm o salário mínimo como referência,
assim como os aposentados, pensionistas e beneficiários
do INSS, pois é, no mês de maio que se aplica o índice
de aumento do salário mínimo, que vigora sempre
a partir do primeiro dia de maio.
Nem
sempre o anúncio do aumento do salário mínimo
gera comemorações, ao contrário, provoca
reações, frustrações e decepções.
É por isso mesmo, que realizarei aqui algumas considerações
sobre este reajuste de 2004, muito embora fossem necessárias
muitas reflexões e ponderações sobre os índices
e as conseqüências do aumento do salário mínimo
no Brasil.
O
aumento do salário mínimo este ano, próximo
do que ocorreu nos anos anteriores, apresentou um índice
anunciado pelo governo que frustrou e decepcionou a maioria dos
trabalhadores brasileiros e, principalmente, todos os aposentados
e beneficiários do INSS cujo reajuste depende do aumento
do salário mínimo, em especial os quase 70% de aposentados,
pensionistas e beneficiários do INSS.
Para
eles esse aumento de R$20,00 (vinte reais) no salário mínimo,
passando dos atuais R$240,00 para R$260,00 passa a ser uma crueldade.
Um aumento que desagradou, inclusive a maioria dos brasileiros,
a todas as Centrais Sindicais e sindicatos que propunham, mesmo
aquém do necessário, um reajuste entre R$280,00
à R$300,00.
Mais
uma vez o vilão passa a ser aposentados e pensionistas,
alegando preservar os cofres da Previdência Social e quem
paga o pato são aqueles que dependem exatamente do salário
mínimo, como os trabalhadores assalariados e aposentados.
O
governo brasileiro propõe, como alternativa de melhorar
a renda dos trabalhadores brasileiros de baixa renda, aplicando
nos "benefícios" assistenciais em R$25,00 (vinte
e cinco reais) como é o caso das bolsas-família.
Alega que não pôde reajustar nos índices esperados
pelos trabalhadores para que não haja impacto na Previdência,
mas aplica mais R$25,00 na bolsa família, uma medida que
discrimina o velho brasileiro.
Assim,
na verdade, não passa de um escamoteamento, um disfarce.
Os velhos de hoje, já aposentados, não são
do interesse do mercado. Empurram os brasileiros para a Previdência
Privada, principalmente aqueles que hoje ainda não estão
próximos à velhice ou em vias de aposentar.
O
alvo, seguramente, é o velho de amanhã, os jovens
e maduros de hoje, os futuros velhos. É como se estivessem
a dizer que quem quer ter direito a uma aposentadoria melhor,
adquira um plano privado de previdência.
É
o que vem acontecendo conosco em relação aos Planos
Privados de Saúde. Assim, a reforma da previdência
e as medidas do governo, acabam por reforçar a frustração
e a decepção que vão contribuindo para a
desesperança de todos e, em especial, dos mais velhos.
Um
aumento baixo para o salário mínimo também
atinge muitos leitores desta coluna, mesmo aqueles que pertençam
aos Planos Complementares da Previdência, como é
o caso das Fundações ou Associações
de Previdência das estatais ou multinacionais, pois utilizando
o índice de reajuste do salário mínimo e
as diferenças de reajustes em relação aos
trabalhadores da ativa, essa situação atinge, frontalmente,
os aposentados em geral.
Como
não temos a intenção de tratar de todas as
conseqüências do aumento do salário mínimo,
menos ainda de fazer uma análise mais abrangente sobre
os impactos ou não desse aumento na Previdência Social,
sugerimos aos leitores do IdadeMaior para acompanharem, o mais
que puderem, tanto as matérias dos jornais de grande circulação
quanto os boletins ou tablóides dos sindicatos ligados
a categoria a que pertençam.
Em
todo caso, nos próximos números, sempre que houver
alguma novidade ou esclarecimento sobre esse assunto, traremos
aqui para que nossos leitores tenham as respectivas informações.
No mais, quero desejar a todos que celebrem o mais que puderem
e que aproveitem o melhor dos festejos comemorativos deste lindo
e significativo mês de maio.
Serafim
Fortes Paz é presidente da Associação Nacional
de Gerontologia-RJ, assistente Social, Doutor em Gerontologia
e, Docente da UFF. Representante da região sudeste na Comissão
Nacional de articulacão da Politica Nacional do Idoso;
Coordenador do fórum permanente da política nacional
e estadual do idoso do RJ e membro titular do conselho estadual
de defesa dos direitos da pessoa idosa do RJ.